Mensagem da doutora Andrea Miranda Costa, juíza de direito

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“Como tomba o abeto solitário da encosta ao passar do furacão, assim o guerreiro misterioso do Crissus caia para não mais se erguer”. Peço emprestadas as palavras de Alexandre Herculano, extraída da obra “Eurico, o Presbítero”, para narrar a morte heróica do policial militar MARCOS MARQUES DA SILVA, covardemente morto por verdadeira Besta do Apocalipse. Aquela mesma da visão de João, o Discípulo de Jesus, de sete cabeças e dez chifres, o Anticristo.

O sangue derramado na pequena Santa Margarida servirá, queira Deus, para que haja reflexão sobre os rumos que a sociedade pretende. Continuarão a defender cegamente os bandidos ou se postarão ao lado dos homens de bem? Defender essa aberração chamada de “audiência de custódia”, por exemplo? Defender que os direitos do réu estão acima do bem e do mal?

Na luta diária pela aplicação da lei, sempre respeitei os direitos do réu, mas também os da vítima e/ou seus familiares. Eu e tantos outros que lutamos a mesma luta somos tratados quase como párias da sociedade. Existe uma completa inversão de valores e essa inversão perdura até que o defensor ardoroso dos “direitos humanos” seja vítima da criminalidade. Com certeza seu discurso mudará, mas o estrago de sua defesa já foi feito.

Qual o verdadeiro propósito da “audiência de custódia”? Indagar do réu se ele foi torturado pela polícia. Pergunto para os defensores dessa aberração: o que indagar da besta do apocalipse que puxou o gatilho contra o policial? Você foi agredido??? Por óbvio que não defendo aqui a tortura ou cessar os direitos dos réus. Devem ser preservados, sim, mas dentro de uma lógica, com limites ao excesso, ao absurdo.

Nós, Juízes de Direito, Procuradores e Promotores de Justiça e policiais estamos sentados no banco dos réus assistindo, boquiabertos, os defensores dos direitos humanos se insurgirem contra nós, acusando-nos de tortura e abuso de autoridade, deixando a mercê da própria sorte a sociedade indefesa e que, infelizmente, não se deu conta do que está acontecendo.

Ouço relatos diários de bandidos se vangloriando de seus crimes e nos ridicularizando, dizendo: “nos vemos na rua e será seu fim”. Intimidação? Menosprezo pela Justiça? Impunidade? O destaque dessa tragédia recairá , por certo, sobre as bestas travestidas de bandidos que morreram no confronto com a polícia. Se referirão a eles como aquelas “vítimas de chacina perpetrada pela polícia”. Para as bestas sobreviventes? Poucos anos de cárcere e logo, embaladas pelos ardorosos defensores dos direitos humanos, sairão às ruas a caça de novas vítimas. Quiça eu, quiça você.

Saiba honrosa Corporação de Tiradentes que nós, homens de bem, jamais a abandonaremos. Lutaremos juntos, nem que sejamos a última trincheira. Que o sangue derramado do PM Marcos não seja em vão. Como diz a letra da canção da PMMG, “Fortes marchemos, eia soldados! Os passos desses heróis são faróis que segurança nos dão e razão, seguiremos”.

Descanse em paz “descendente do bravo Alferes, o Tiradentes”, o seu sangue será meu alimento da alma para seguir adiante, sem depor a minha Toga.

Andrea Miranda Costa

Juiza de Direito – 2a Vara de Tóxicos

Belo Horizonte/MG