Estudar para passar e até passar

Tempo de leitura: 11 minutos

Quando comecei a estudar para o Concurso para Habilitação de Oficiais da PMMG, eu determinei que iria estudar para passar e até passar, ainda que não passasse no primeiro concurso que prestasse.

Em 2017, acertei 31 de 40 questões, passei por todas as fases, mas fiquei excedente por apenas 1 questão. Em 2018, acertei 35 de 40 questões, passei por um TAF classificatório bem desgastante e fui aprovado em 5º lugar.

Se, ano passado, choramos por eu ter chegado tão perto e não conseguido, este ano, eu e minha esposa éramos só sorrisos quando conferimos o gabarito e tivemos a certeza que uma vaga seria minha.

Há alguns dias, conversava com meu amigo Sargento Torres do Batalhão ROTAM sobre minha metodologia de estudos para este concurso e resolvi repassar estes métodos também para os leitores do Blog do graduado.

Já falei um pouco dos meus métodos no artigo Qual o segredo para passar no concurso da polícia. E como aperfeiçoei-os no artigo 6 lições que aprendi com minha reprovação no concurso da PM.

Faço questão de frisar que minha metodologia foi a ideal para mim, porém talvez não seja para você. Sugiro que ajuste-a às suas características pessoais.

1 – Definir prioridades e saber dizer NÃO

Ano passado, dividia meu tempo entre família, serviço, faculdade e estudo para concurso. Este ano, tranquei a faculdade e combinei com minha esposa que escolheríamos apenas um dia da semana para sair da rotina de estudo.

Mesmo assim, de vez em quando, tinha de dizer um NÃO para ela quando me chamava para assistir televisão, fazer churrasco ou ir ao shopping fora do dia combinado.

Alguns acham que sou radical, mas acho que quem quer passar não pode perder tempo com redes sociais, TV, dormir muito, jogar futebol, festas… Depois de aprovado, tudo bem.

2 – Preferir qualidade que quantidade

A maturidade nos ensina que o muito nem sempre é a melhor opção!

De nada adianta ficar trancado no quarto de estudos o dia todo, se seu celular ficar ao seu lado, pois o Face, Insta e Zap são alguns do seus piores inimigos durante a preparação para concurso.

Ano passado, estudava aproximadamente 9 a 10 horas por dia. Este ano, diminui para, no máximo, 6 a 7 horas por dia. De um ano para o outro, diminuí na quantidade e aumentei muuuuuito na qualidade.

A diferença na quantidade de horas de estudo a menos era tão visível que minha esposa ficou preocupada que eu não estivesse estudando de verdade.

Porém, eu sabia que apesar de estudar menos, estava aprendendo e apreendendo o conteúdo de uma forma tão absurda que me sentia preparado para dar uma aula sobre a legislação ou fazer qualquer prova de nível difícil.

3 – Fazer provas anteriores da PM

As provas de concursos da PMMG são formuladas pela própria corporação e estão disponibilizadas no banco de provas do site oficial. Eu fiz e refiz várias vezes todas as provas dos últimos 3 anos de todos os concursos internos ou externos da PM.

É interessante que, estudando pelo método tradicional, desde a 1ª série até a faculdade, aprendemos estudar a matéria e depois fazer provas.

Depois que comecei estudar para concursos, aprendi que fazer uma prova antes e estudar o conteúdo depois desperta o cérebro para pontos específicos que costumam ser mais cobrados nas provas.

Primeiro faço provas anteriores, mesmo que não domine o conteúdo; depois estudo a matéria; faço novamente provas sobre o que estudei; e estudo novamente a matéria, com ênfase para as partes que errei na prova.

4 – Ser bom em todas as matérias, mas ser excepcional em Português

Para quem não tem noção da importância do Português nos concursos da PMMG, saiba que no CFSD, são 10 questões, 25% da prova; no CHO, são 13 questões, 33% da prova; e no CFS, são 15 questões, 37,5% da prova.

Para se ter a noção do peso desta matéria, um amigo que passou no CHO do ano passado deu-me o seguinte bizu:

Silvino, se você acertar todas as questões de Português, sua vaga estará garantida!

Ten Onofre

Claro que deve-se ter o discernimento que de não adianta gabaritar Português e zerar o restante da prova. E não esqueça que o conhecimento da Língua Portuguesa também é essencial para uma boa nota na redação.

Não foi fácil, mas, com a ajuda do mestre Sargento Sandro, dominei este fantasma da maioria dos candidatos.

Perdi as contas de quantos sábados e domingos fui para as aulas presenciais na casa dele ou de quantas aulas assisti online; dezenas de simulados feitos; tira-dúvidas pelo zap; aulões de véspera de prova…

5 – Investimento ou gastos

Nem sempre um dinheiro que sai do seu bolso deve ser percebido como um gasto, mas como investimento. Normalmente, o gasto é um dinheiro perdido, enquanto o investimento gera retorno.

Você já percebeu que os times que tem os maiores gastos são os mesmos que ganham mais campeonatos durante a temporada?

Da mesma forma, a maioria dos candidatos que garantem uma das vagas dos concursos gastaram um pouquinho de suas economias na preparação.

Neste 2 anos de estudo, paguei pouco mais de 2.000 reais em apostilas, cursinhos preparatórios, cursinho de técnicas de estudo, concurso-teste, aulões de véspera, preparação física, combustível, lanche, inscrições…

Para mim, foi um investimento a médio prazo. Com a diferença salarial de sargento para tenente, terei um retorno garantido deste investimento.

aula de Português na casa do sgt Sandro
Foto: Guilherme Augusto

6 – Fazer cursinho preparatório

Estudar sozinho e passar não é fácil, mas é possível. Quando prestei concurso para soldado, como não tinha condição de pagar cursinho, comprei uma apostila, estudei sozinho e passei.

Mas estudar com quem conhece tudo do conteúdo a ser estudado e como ele costuma ser cobrado é bem melhor. Um dos professores que conheço que mais se encaixa neste perfil de facilitador é o Sargento Alcântara.

7 – Curso online ou presencial

Esta é outra grande dúvida dos candidatos. Particularmente, prefiro muito mais aulas online que presenciais. Mas se a aula presencial for de alto nível como a do Sargento Sandro, eu não perco também.

Nas aulas online, o estudante tem total controle: Pode ver a qualquer hora do dia; pode aumentar a velocidade do vídeo; parar a aula para ir ao banheiro ou tomar um cafezinho; retornar a explicação que não entendeu; rever a aula quantas vezes quiser; não tem que sair de casa…

Nas aulas presenciais, o estudante tem a oportunidade de contato direto com o professor, pedir uma explicação de um ponto específico; sentir a energia positiva dos outros alunos; ter a oportunidade de conhecer concurseiros mais experientes que poderão dar boas dicas de estudo…

Cabe ao estudante definir qual modalidade se adequa com mais eficiência ao seu perfil. Seja online ou presencial, fazer um bom cursinho preparatório é um excelente investimento!

Cursos Online para Concursos

8 – Apostilas

O estudo por apostilas requer muita atenção: de um ano para o outro, ocorrem importantes alterações legislativas. E são justamente estas novidades que a banca do concurso gosta de cobrar na prova.

Sempre que abro uma lei na apostila, também abro a mesma lei no site oficial do Planalto ou Assembleia Legislativa e confiro se existe alguma atualização. Se estiver desatualizada, eu faço um lembretinho a caneta mesmo.

Alguns concurseiros iniciantes usam o marca-texto e canetas coloridas indiscriminadamente. O problema é que, em pouco tempo, a apostila mais parece um arco-íris. O que era para ser destacado perde o destaque porque tudo está destacado!

Faça as provas anteriores e marque na lateral da apostila o artigo que foi cobrado e em qual concurso. Depois de fazer isto com umas 5 provas, você perceberá que a banca cobra muito alguns temas e passa batido em outros.

9 – Treinamento físico

Seguindo o velho ditado “enquanto descansa, carrega pedra”, sempre que batia aquele sono por estar estudando há muito tempo, eu fazia uma corridinha e voltava novinho para mais um período de estudo.

O resultado de um treinamento específico para o TAF, 3 dias por semana, durante 8 meses, foram 56 de 60 pontos no TAF, subindo do 12º para 5º lugar na classificação final.

Sugiro não deixar o treinamento físico para depois da prova, pois o período é muito curto para uma preparação eficiente. Para quem for de Belo Horizonte e região, recomendo a excelente equipe GH Running.

10 – Guarnição que estuda junto, passa junto

Estudar durante o serviço é um privilégio que nem todo militar tem. Mas quando seu colega de serviço também está estudando, dá certinho.

Da minha última guarnição, tem um militar fazendo o CFO e, na guarnição atual, tem um militar que tirou uma excelente nota no CFS.

Trabalhando juntos, estudando juntos, sendo aprovados juntos!

11 – Rotina de serviço de acordo com a legislação

Uma excelente forma de estudo é discutir sobre erros e acertos de cada ação operacional ou ato administrativo. Durante o serviço, deve-se sempre analisar a prática policial de acordo com as normas e doutrinas acadêmicas.

Trabalhe o máximo possível de acordo com a legislação, pois evita stress administrativo e massifica o conteúdo na mente. Na hora da prova, o cérebro costuma lembrar de como se faz e não de como deveria ser feito.

12 – Grupos de estudo

Não gosto muito de estudar em grupos, pois o foco acaba sendo desviado para assuntos como futebol, política, farra, entre outros. Mas fui convidado para dois grupos que facilitaram bastante meu estudo.

Um grupo foi de simulados pelo WhatsApp. Toda semana, um candidato ficava responsável por preparar um simulado aos moldes da prova oficial. Depois de 2 a 3 dias, fazíamos a correção do simulado e discussão das questões controvertidas. Era tão sério que rolava até recurso das questões.

O outro grupo foi de análise dos pontos quentes da legislação pelo Skype. Em aproximadamente 2 horas de estudo por dia, conseguíamos discutir todas as possibilidades de questões de uma matéria. Foi top demais!

mesa de estudos

13 – Revisões

Dizem que existe uma tal de curva do esquecimento. Para evitá-la, é essencial fazer revisões em períodos diferentes para convencer o cérebro de que aquele assunto é importante.

Meu quarto de estudos era branco, mas com o tempo foi ficando verde de tanta cartolina que eu pregava nas paredes. Estudava uma matéria, fazia um esquema dos pontos principais e passava para um cartaz na parde.

No outro dia, dava aula para minha esposa ou alunos imaginários sobre a matéria estudada no dia anterior. Depois, conferia no cartaz se tinha lembrado tudo. Somente o que tivesse ficado na dúvida, estudava de novo.

Usava também fichinhas com perguntas de um lado e respostas do outro. Escolhia uma ficha aleatória e respondia a pergunta. Se errasse, já ia para o chão pagar 10 flexões.

Compromisso, dedicação, persistência, fé!

O título deste artigo tem tudo a ver com estes três comportamentos que tive durante estes dois anos de estudos, inclusive quando veio a reprovação ano passado. Eu estudei para passar e até passar!

Esta ideia deu certo para mim e pode dar certo para você também. Basta que comprometa-se, dedique-se, persista no propósito e creia!

Aprendi esta técnica no livro Como passar em provas e concursos do professor, concurseiro e juiz federal William Douglas. O livro é muito bom, vale a pena a leitura.

Se você está se preparando para o 1º concurso, garanto que você vai passar. Tenha paciência e estude muito que sua hora vai chegar!

Se você é concurseiro mais experiente e já chegou bem perto, mas não conquistou uma vaga, não desanime, pois seu conhecimento acumulado será cada vez mais consistente, levando-o à aprovação.

E se você gostou deste artigo, compartilhe em suas redes sociais para ajudar seus amigos a estudarem para concurso da PM com métodos mais eficientes!

4 Comentários


  1. Parabéns , ótimas dicas e com sua história nos motiva muito a estudar de forma mais eficiente!!

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  2. Sensacional, um depoimento importante para quem está na labuta!!
    Parabéns

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