6 lições que aprendi com minha reprovação no concurso da PM

Tempo de leitura: 11 minutos

Todo candidato estuda para concursos públicos almejando estar entre os aprovados na lista final. Dedicam muito esforço, tempo e dinheiro para garantir uma vaguinha. Mas e se vier a reprovação, o que aprender com ela?

No artigo Qual é o segredo para passar no concurso da polícia, relatei que passei em alguns concursos, mas também fui reprovado em outros.

Este ano, prestei o Concurso de Habilitação para Oficiais da PMMG. Acertei 31 de 40 questões e 85 de 100 pontos na redação. Fui convocado para a 2ª fase e passei tranquilo nos testes físicos e psicológicos.

No resultado final, fiquei na lista dos excedentes. Fazer o que, né? Cheguei bem pertinho, mas não fui convocado para o curso. E agora, o que fazer depois de dois anos de estudo e não conseguir a vaga?

Fazendo uma análise desta reprovação, lembrei do conselho que sempre dou aos leitores do Blog do graduado:

Um guerreiro não desiste de seus sonhos por maiores que sejam as dificuldades!

E como um verdadeiro guerreiro de farda, a palavra desistir não faz parte de meu vocabulário. Vou retornar para o campo de batalha (minha mesa de estudos), já conhecendo bem melhor meu desafio.

Desde o dia do resultado até hoje, passaram-se dois meses. Aproveitei este período para descansar e refletir bastante sobre meus erros e acertos neste processo de estudo.

E agora que chegou a hora de retornar aos estudos, decidi fazer uma pequena lista do que aprendi com esta reprovação para ler pelo menos uma vez por semana, o que me ajudará a manter o foco.

1 – Eu sou culpado pelo resultado, não Deus!

Muitas vezes, coisas acontecem ou não em nossas vidas e dizemos que foi porque Deus quis ou que Ele não quis. E faço questão de afirmar que não estou blasfemando, pois sou cristão!

O que não posso é falar que não acertei uma questão a mais porque Deus não quis.

Durante uma palestra sobre a atitude dos jovens, o pastor Claudio Duarte fez uma comparação interessante entre o candidato cristão e o não-cristão:

Tem jovem que quer passar em concurso, mas não estuda. No dia da prova, coloca a mão sobre a prova e pede a Deus que abra sua mente para que ele passe…

Enquanto o jovem que não é cristão estuda todos os dias. No dia da prova, ele não pede a ajuda de Deus.

Na sua opinião, quem tem mais chance de passar na prova?

Claudio Duarte

Realmente, temos que entender que Deus está conosco sempre! Conosco e com os outros candidatos também. Será recompensado aquele que dedicou-se mais em sua preparação.

Analisando a lista de classificação, a nota do último aprovado foi 32 questões e 94 pontos na redação, uma diferença de apenas 1 questão e 9 pontos na redação.

Ao invés de ficar lamentando-me como muitos candidatos, devo entender que basta esforçar-me um pouquinho mais para ser aprovado no próximo concurso.

 

2 – Qual é o meu foco?

Todo mundo sabe que, sem foco, não há sucesso! E foco não é somente desejo de alcançar algo. Ter foco é muito mais que falar “eu quero”!

A lição do professor e coaching Paulo Vieira no livro O poder da ação divide o foco em três tipos: visionário, comportamental e consistente.

Foco visionário é saber com clareza quais são suas metas e seus objetivos, a ponto de poder vê-las intencionalmente em sua mente com toda a nitidez.

Foco comportamental é dedicar tempo e atenção para produzir energia suficiente para gerar mudanças internas e externas. E essa energia é produzida através do uso repetido de três canais neurológicos: comunicação, pensamento e sentimento.

Foco consistente é a capacidade de manter em mente o foco visionário e o comportamental por tempo suficiente para que sejam produzidas mudanças consistentes e massivas. Pode haver distrações, mas você não é seduzido por elas e continua olhando para a sua meta, não perdendo a perspectiva da visão de futuro e atuando sistematicamente para conquistar o que quer.

Paulo Vieira

Quando li este capítulo que fala sobre o foco, cheguei a conclusão que meu foco para este concurso foi o comportamental.

Algumas circunstâncias da vida pessoal (faculdade, mudança de cidade, família) foram distrações que impediram que meu foco atingisse o patamar do consistente.

Desta vez, pretendo preparar-me com foco consistente e atingir meu objetivo.

Foto: Sd Rick Oto

3 – Concurso público não se faz para passar, mas até passar

Este mantra foi criado pelo professor e juiz federal William Douglas, aprovado em diversos concursos públicos e autor de livros na área de preparação para concursos.

Acredito que a primeira parte da frase – concurso público não se faz para passar – acaba acomodando alguns candidatos. Se não passarem, eles justificam-se que no próximo concurso passarão… ou no próximo… ou no próximo… ou no próximo…

Entendo perfeitamente que a ideia do William foi tirar o peso das costas do candidato que pensa que tem que passar no primeiro concurso para o qual está estudando e que se frusta ao não conseguir.

E que se ele continuar estudando, acontecerá o efeito bola de neve. Seu conhecimento irá acumulando até ser o suficiente para passar.

Como já tenho experiência de mais de uns 20 concursos, peço licença ao professor William Douglas para fazer uma pequena adaptação à sua ideia:

Concurso público se faz para passar e até passar!

Fabrício Silvino

 

4 – Calcanhar de Aquiles

Segundo a lenda grega, Aquiles, filho do rei Peleu e da deusa Tétis, tornou-se invulnerável quando, ao nascer, foi banhado pela mãe nas águas do rio Estige. Apenas o calcanhar por onde Tétis o segurou não foi molhado e continuou vulnerável.

Revista Super Interessante

Em concursos públicos, sempre tem uma matéria que pode ser considerada o “calcanhar de Aquiles” de alguns candidatos.

No meu caso específico, fui surpreendido pela matéria que tenho mais facilidade, o Português. Tenho até vergonha de falar que consegui errar 5 das 13 questões de interpretação de texto e gramática.

Para se ter uma ideia da amplitude deste resultado, no restante da prova, errei outras 4 questões de 27 de legislação.

Percebe-se claramente a desproporção do aproveitamento: apenas 61% em Português, face os 85% de legislação.

Ressalto que não fiz como muitos candidatos que não estudam as matérias que consideram mais fáceis. Estudei bastante Português, mas, infelizmente, o resultado não foi o esperado.

Ficou como aprendizado para a próxima prova que, mesmo as matérias menos difíceis, reservam surpresas!

 

5 – Seja um professor das matérias do concurso

Dar aulas é uma excelente técnica de estudos, pois obriga o professor a estudar o conteúdo que irá ministrar aos alunos.

Um amigo me disse que um candidato aprovado neste último concurso era professor de cursos de formação na Academia da Polícia Militar.

Como estratégia de preparação para o concurso, ele assumiu uma disciplina que cairia na prova.

Esta estratégia fez com que o professor estudasse esta matéria três vezes:

  • a primeira vez com foco de preparação de aula;
  • a segunda vez com foco de transmissão do conhecimento para os alunos;
  • e a terceira vez com foco para fazer a prova do concurso.

Particularmente, sempre fui muito tímido, principalmente quando era para falar para um número maior de pessoas. Na escola, nunca gostei daqueles trabalhos que tinha que apresentar na frente para os outros alunos.

O tempo passou e, mesmo depois de adulto, ainda era introvertido. Mas depois que entrei para polícia, principalmente depois que fui promovido a sargento, a vergonha teve que ser deixada de lado.

Com o tempo, percebi que a timidez, a vergonha, o medo de falar em público, tinha relação direta com o despreparo técnico, com a falta de domínio do que precisava falar.

Apesar de não ser professor da Academia PM, eu já dou aulas. Comecei dando aulas para mim mesmo.

Depois que estudava o conteúdo, fechava o livro e começava a falar sobre o assunto, respondendo as pegadinhas que eu mesmo fazia para mim. Coisa de doido, né? Mas me ajuda a internalizar o que estudei.

Depois passei a repassar o que estudei para meus patrulheiros durante o turno de serviço. Falava para um ou dois colegas na viatura e era questionado por eles sobre o tema.

Vez ou outra, sou escalado como responsável pelo treinamento técnico e tático periódico da companhia. A maioria não gosta desta responsabilidade, mas eu aproveito como oportunidade de aprender para ensinar.

 

instrução de legalidade da abordagem policial

 

6 – Estudar para ser o 1º lugar

Vivemos em uma sociedade que cultua sempre o vencedor e despreza aquele que chegou perto.

É muito comum ouvir que vice e nada é a mesma coisa! Para fazer um teste simples, você sabe quem é o vice-prefeito da sua cidade ou vice-governador do seu Estado?

Para fanáticos torcedores, não há diferença se o time ficou em 2º, 10º ou último. Ele não ganhou o campeonato e pronto!

Em concursos públicos, a lógica é um pouquinho diferente. Valoriza-se todos que conseguiram garantir uma vaguinha. Apesar que ser o 01 tem um gostinho especial.

Mas se sua vaga for a primeira ou a última, o importante é que você passou, vai fazer o curso de formação, assumir seu posto e ganhar o mesmo salário que todos os outros candidatos aprovados.

Voltando um pouquinho no tempo, ainda no início da preparação para o concurso, o candidato deve decidir qual será seu objetivo.

E precisa ter a consciência que algumas circunstâncias que ele não controla podem alterar um pouquinho sua meta.

Em concurso público, se estudarmos para ser o 1º lugar, podemos alcançar este objetivo ou ficar entre os melhores;

Se estudarmos para estar entre os primeiros, podemos alcançar este objetivo ou ficar classificados dentro do número de vagas;

Se estudarmos para garantir uma vaguinha, mesmo que a última, corremos sério risco de ficar na lista de excedentes ou nem mesmo conseguir a nota de corte que te classifica para fazer a próxima fase do concurso.

 

Visão de futuro

Baseado nestas lições, vou reprogramar minha preparação de estudo para o próximo concurso. E espero que, daqui um ano, eu escreva um novo artigo com as lições que aprendi com minha aprovação.

Meu Deus, sei que a culpa por não ter passado foi minha porque não estudei o suficiente e não porque o Senhor não quis que eu passasse!

Professor William Douglas, vou estudar até passar, mas com objetivo de passar neste concurso!

Professor Paulo Vieira, meu foco será consistente, pois percebi que os focos visionário e comportamental nem sempre são suficientes! 

Caros colegas de serviço, obrigado por conversarem comigo sobre o que estou estudando, servindo como meus alunos!

Português, se eu já te gostava e estudava um dia por semana, vou passar a te amar e estudar todos os dias!

Prezados concorrentes, não estou sendo prepotente, mas meu objetivo é ser o 1º lugar!

Dizem que a melhor forma de aprender é com os erros de outra pessoa, pois aprende-se sem sofrimento próprio.

Sendo assim, se você tem um amigo que está estudando para concurso, compartilhe este artigo com ele para que não cometa os mesmos erros que eu!

Se você também já foi reprovado em algum concurso, faça um comentário logo abaixo sobre sua experiência e quais lições você aprendeu!

12 Comentários


  1. Show….. superidentifiquei kkkkkk só ontem que me dei conta que já fiz 10 concursos. Rs. É muito aprendizado e sei que minha hora vai chegar. O último foi agora. CFSD 2017 que perdi no psicológico…. mas, enfim…. O sonho continua.

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    1. Boa noite, Josiane

      Este tal de psicotécnico derruba muita gente mesmo.

      Não desanime, pois você está no caminho certo!

      Abraço guerreira!

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  2. Interessante o blog. Sr sgt, prestei o cfs e tirei 31 e 84 na redação. Ainda não saiu o resultado mas acredito que ficarei excedente devido a ranking não oficial. Meu problema foi parecido, Português errei 5 e a legislação tirei 21. Acredito que o atual cmdo não chamará os excedentes do cfs, estamos na luta e me vejo assim como o sr. Não irei desistir.força e honra

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    1. Boa noite, Douglas

      Parabéns pelo resultado! Pelos comentários que ouço entre os militares da minha companhia, você tem chances.

      Quanto a convocação de excedentes, não perca a esperança. Esta semana, os excedentes do CFSD foram convocados.

      Tomara que dê tudo certo para você! Forte abraço!

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  3. Grande amigo SGT Silvino. Sofremos juntos neste concurso ao CHO e tivemos o mesmo fim. Excedentes e fora do curso.

    Concordo plenamente com seu artigo. Não estudamos o suficiente mas neste ano focaremos ainda mais para alcançar a vitória.
    Força e honra!

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    1. Boa noite, nobre amigo Quirino

      Vamos com tudo para o novo combate, desta vez com maior experiência e muito mais foco.

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      1. Grande sgt, sua história me serviu de pura motivação pra minha vida , comigo aconteceu um pouco diferente, abandonei o serviço da cerâmica pra ficar por conta do seguro desemprego pra estudar , passei na prova objetiva com 33 questões, porém fiquei na redação com a pontuação de 64 infelizmente não consegui, sofri e sofro muito com essa reprovação, mais sei que com foco e fé, determinação conseguirei minha tão sonhada aprovação.

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        1. Boa noite, Jhonatha

          Você estava com um pé dentro e a redação te atrapalhou.

          Mas percebe-se que você tem muita condição de tornar-se um guerreiro de farda.

          Não desista! Sugiro fazer um cursinho de redação para que ela não seja um fantasma em sua caminhada.

          Avante guerreiro!

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  4. Bem, sou testemunha da seriedade do SGT Silvino quando trata-se de dedicação, o parabenizo e torço por sua vitória.
    Mas, ouso aqui fazer um alerta, no sentido da memorização. A grande maioria dos concursos nos exigem neste sentido, sendo várias as técnicas existentes para seu estímulo.
    Porem, questões de conteúdo prático e desenvolvimento de habilidades de raciocínio, para alcançar discernimento, na solução de casos concretos, são uma raridade em nossos concursos.
    Tal situação, habilita profissionais que em função da boa memória são aprovados, mas tem dificuldades de agir em sua nova função.
    Acho que o raciocínio aliado ao preparo intelectual, deveria ser o real objeto do concurso. Obtendo do aprovado, não só galgar o novo cargo, mas exerce-lo no mais alto grau de satisfação em seu desempenho.
    Já li alguns artigos neste sentido, com observações de renomados professores e expoentes da área de concurso, sempre é bom ascender a luz as novas idéias.

    Forte abraço a todos.

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    1. Boa noite, prezado amigo Rogério

      Fico lisonjeado por suas palavras. Muito obrigado pelo apoio!

      Quanto a opinião da exigência dos concursos, concordo plenamente que muitos candidatos tem uma capacidade de memorização absurda. E o problema que são ótimos para repetição, mas deixam a desejar no contexto da análise de casos concretos.

      Forte abraço!

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  5. Isso ae Sargento , continue com garra o senhor merece !

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