O dia-a-dia policial pelos olhos da esposa de um policial

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policial militar e família

Era tarde da noite, mas o filho pediu para assistir filme e comer pipoca! O pai foi lá e atendeu o pedido do garotinho, ficou até quase 01 da manhã com o filho no sofá.

Mesmo sabendo que às 05 da manhã deveria estar de pé e se aprontar para pegar serviço às 07 da manhã.

Ao amanhecer, se levantou, arrumou em silêncio, pois não queria acordar a esposa e filho. Pegou sua farda, colocou na mochila, sua arma na cintura, deu um beijo na esposa, no filho e foi-se.

 

 

“Pegou” serviço, tinha física… correu 10 km, mandou o print do percurso para a esposa, ele estava feliz!

Começou o turno… Em cima de duas rodas, ele e seu patrulheiro “desceram”. “Descer”, segundo ele, é sair do batalhão, eu acho!

Aí entre umas abordagens e outras, ele avistou um homem, para ele suspeito, usou uma coisa chamada tirocínio.

Ai! Que medo tenho dessa coisa. Às vezes, acho melhor ver apenas o superficial, mas os policiais têm esta coisa aí do tirocínio…

Bom, acionado este “botão”, foi abordar o suspeito. O “vagaba” montou na moto e acelerou, zarpou, fugiu… para eles, empreendeu fuga.

Ele e o patrulheiro não deixaram por menos, “pulou” na viatura e foram atrás, pediu ajuda pelo rádio, para eles “prioridade”, atravessaram sei lá quantos bairros atrás do suspeito.

Depois de muitos apuros, alcançaram o vagabundo tremendo feito uma mocinha, tentando se esconder atrás de um caminhão.

O meliante estava com uma moto roubada e clonada e já tinha outras passagens. Foram para a delegacia, não tinham nem almoçado.

moto rotam pmmg
Foto: maispatos.com

Ligou rapidamente para a esposa e eufórico falou: Peguei uma ocorrência “top”. Quando ele fala isso, meu coração vai de 0 a 100 em um segundo!

Passou a tarde sem almoço, sem lanche, chegou a noite e ainda não tinham recebido a ocorrência na delegacia. Falido sistema burocrático.

O agente que receberia a ocorrência ficou nervoso, chateado e alterado pelo suspeito não portar documento de identidade, o que facilitaria o trabalho dele.

Enquanto isso, os PM’s ouvindo toda aquela confusão. Sem almoço, sem lanche e agora sem jantar.

Já passavam das 21 horas quando enfim receberam a ocorrência e os liberaram.

Voltou ao batalhão, desfez de sua roupa de super herói! Chegou em casa depois da 23 horas, pega o filho e abraça, brinca faz bagunça no sofá!

Para a esposa, ele conta tudo isso com um brilho no olhar que o cansaço não consegue roubar!

Ela tenta embarcar na empolgação, mas o que deseja mesmo é que nunca mais isso volte a acontecer.

Ele está agitado, não consegue dormir, disse que tem que baixar uma tal de adrenalina; só sei o que é pelo significado no dicionário.

Ele conta a história novamente com outros detalhes, com um sorriso de canto, como quem diz: “Eu sou o cara”!

 

 

A esposa está fervorosa na oração interna: meu Deus, “tomara” que nunca mais aconteça isso.

E ele no seu íntimo dizendo… “Tomara” que no próximo serviço eu pegue outra ocorrência “top”.

Lá pela madrugada, ele se aquietou; o Super Herói dormiu! Mas para a esposa, ele só é o seu marido, seu amigo, seu amante… Ela é egoísta, só quer ele por perto, bem pertinho, sem tirocínio e sem adrenalina.

Mas ela sabe, talvez mais do que ele, que tudo isso é vida para ele, mesmo que possa resultar em morte!

E ela também não dorme, não por conta da tal de “adrenalina”. Ela não dorme por amar demais e saber que este amor não pode fazer dele imortal!

Relato de uma esposa, representando outras milhares que também ouvem todos os dias histórias como esta de seus “heróis”.

Laura Pinheiro, esposa do Cb Pinheiro da PMMG

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