Servir a sociedade, mesmo com o sacrifício da própria vida

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Todo policial já fez este juramento alguma vez em sua carreira. Muitas pessoas não compreendem a amplitude de servir cidadãos que nem mesmo conhecemos e jurar que faremos isto, ainda que sacrifiquemos nossa própria vida.

Mas diante da atual conjuntura da segurança pública brasileira e com o protecionismo parcial dos Direitos Humanos, destaca-se cada vez mais o seguinte questionamento: a sociedade realmente merece que o policial sacrifique sua vida?


Em todo final de curso de formação, no ápice da formatura, os policiais bradam o juramento de dedicar-se inteiramente ao serviço policial, mesmo que com o sacrifício da própria vida.

Quanto a servir a sociedade a qualquer hora do dia ou da noite, de serviço, de folga, cansado, com fome, sem armamento e equipamentos adequados ou do mesmo nível que os infratores, recebendo um salário desproporcional para a complexidade da atividade desempenhada, não há nenhuma novidade.

Sempre foi assim! Os policiais sempre se dedicaram de corpo e alma ao serviço, deixando em segundo plano suas próprias famílias.

O que, infelizmente, tem acontecido com uma frequência cada vez maior é o sacrifício da vida do policial em razão de sua atividade profissional. A cada dia que ligamos a televisão, lemos os jornais ou acessamos a internet, vemos em destaque que perdemos um irmão de farda assassinado covardemente.

Mais quantos Neandros, Brunos, Aldas, Everaldos, Rodrigos terão que perder suas vidas para que alguma coisa mude?

No artigo Insegurança pública: o assassinato do soldado André foi a gota d’água para os policiais deixamos claro que já não aguentamos mais viver esta situação em que nem mesmo os policiais desfrutam da segurança pública pela qual eles se dedicam a oferecer a sociedade.

Estamos vivenciando uma inversão de valores: a sensação de impunidade faz com que os bandidos atentem contra a vida dos policiais, com a expectativa ou quase certeza de que não haverá punição para seus atos.

Um dos fatores que mais dá esta ideia de impunidade criminal é o protecionismo radical dos grupos de Direitos Humanos.

Estes grupos que deveriam defender todos as pessoas que sofrem alguma ofensa a seus direitos fundamentais, na verdade, tem uma visão um pouco deturpada de sua função.

Se um policial mata um criminoso, ainda que amparado pelas excludentes de ilicitude previstas em nosso ordenamento jurídico, com certeza aparecerá um representante para exigir apuração criteriosa dos fatos, indenização e assistência de todo tipo a família do bandido.

Mas se é o bandido que mata o policial, não aparece nenhum representante para exigir o mesmo tratamento para a família que perdeu seu ente querido.

As corporações policiais tem milhares de homens e mulheres a serviço da sociedade.

Não podemos aceitar que o Estado nos encare apenas como mais um número. Não somos descartáveis!

Cada policial é um ser insubstituível!

Temos pais, esposas e maridos, filhos, sempre haverá alguém nos esperando chegar em casa após um dia de serviço!

Podemos até chegar cansados ou meio emburrados por algum stress que tivemos, mas nossos familiares não aceitam uma bandeira para colocar em cima de um caixão.

Quando avalio os riscos pelos quais os policiais passam e a valoração que parte da sociedade dá a este sacrifício; quando percebo que a lei é fraca e não existe justiça para aqueles que a transgridem; quando passo do meu horário de serviço e algum familiar me liga preocupado se está tudo bem comigo, me pego a pensar se a sociedade realmente merece que os policiais a protejam, mesmo com o sacrifício de suas próprias vidas.

E você, o que pensa sobre o tema? Seja policial ou parente de policial, seja um cidadão que se preocupa com a segurança pública em geral, deixe um comentário abaixo com sua opinião!

9 Comentários


  1. Prezado colega,

    Concordo plenamente contigo!

    Todo profissional trabalha em troca de uma remuneração. E espera que seja proporcional a qualidade de seu serviço, a dificuldade e periculosidade da atividade, bem como exigências da função. No caso da atividade policial, um salário baixo realmente é um fator desmotivador.

    Como analisei no comentário anterior, o policial deve ser um agente do Estado muito bem pago. Se colocássemos em pauta somente o risco de vida da atividade policial, já teríamos motivo para exigir um alto valor por este sacrifício. Mas o serviço vai muito além disto.

    Em minha opinião, os R$ 8.000 sugeridos por você estão dentro da realidade da profissão policial militar.

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  2. Prezado colega,

    Concordo em parte com seu comentário.

    Quanto a valorização, entendo ser imprescindível para qualquer profissional. E não somente falando em remuneração, mas em um contexto geral: salário, carga horária menos desgastante, perspectiva real de promoção na carreira, preocupação do Estado com a segurança pessoal do policial, bom plano de saúde que inclua a família, plano de previdência, entre outros benefícios.

    Analisando especificamente o salário do policial, considero que o policial deve ser um agente do Estado muito bem pago. Se colocássemos em pauta somente o risco de vida da atividade policial, já teríamos motivo para exigir um alto valor por este sacrifício. Mas o serviço vai muito além disto. Então, em minha opinião, os R$ 7.514,33 sugeridos por você estão dentro da realidade.

    Quanto a acabar com a promoção por tempo de serviço, discordo completamente, pois o profissional que não tem a certeza de melhoria na carreira a não ser através de concurso, não busca qualificação. Fazendo uma comparação, é como um funcionário que entra em uma loja como vendedor e será vendedor o resto de sua vida, a não ser que passe um processo seletivo interno.

    Claro que alguns policiais serão aprovados em concurso e serão promovidos, assim como alguns vendedores serão aprovados em processo seletivo e também serão promovidos. Mas são poucas as vagas para ambos casos.

    Em minha opinião, deve haver promoção por tempo e por merecimento. Para quem for aprovado em concurso, parabéns! Acelerará sua progressão na carreira. Mas aqueles bons policiais que tem competência para exercer um cargo superior ao atual, que estudam, mas não conseguem passar no concurso, também merecem ser promovidos, ainda que demore um pouco mais. Neste caso, discordo de simplesmente "dar" uma nova graduação para o policial, pois não há a devida valorização. O cara que dorme soldado e acorda cabo, na maioria das vezes, continua com mentalidade de soldado.

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  3. Tropa da PMERJ está desmotivada e insatisfeita

    Nas sociedades capitalistas é comum que o valor de um indivíduo seja aferido através do seu poder de compra, e isso tem muito a ver com seus rendimentos – a quantidade de dinheiro que ele consegue adquirir em determinado espaço de tempo.

    Não é à toa que, falando de valorização dos policiais brasileiros, sempre se remete à questão salarial como um problema sério, pois além de garantir elementos essenciais para a sobrevivência, “ganhar bem” concede ao profissional um posicionamento social de relevância.

    A PMERJ pode reclamar bastante dos seus vencimentos, pois são inadequados para as funções exercidas. Os baixos salários desmotivam a tropa e criam desinteresse pela profissão. Um Soldado de Polícia Militar em início de carreira deveria receber vencimentos iniciais de R$ 8.000,00 (oito mil reais) mensais.

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  4. Caro amigo Rick,

    Concordo plenamente contigo!
    É algo como um instinto mesmo. Quando o policial se da conta do está fazendo, já está na linha de frente.

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  5. Todo mundo quer maior qualidade na segurança pública, mas para melhorar a qualidade será imprescindível melhorar a questão salarial, ou seja, valorizar o Policial Militar com uma remuneração digna.

    O salário do Policial Militar é incapaz de atender às suas necessidades vitais básicas (previstas no inciso IV do artigo 7º da Constituição Federal de 1988).

    "QUEM VIVE PARA PROTEGER, MERECE RESPEITO PARA VIVER." NÃO HÁ JUSTIFICATIVA PARA OS BAIXOS SALÁRIOS DOS SERVIDORES MILITARES NO RIO DE JANEIRO! POLICIAL MILITAR DESMOTIVADO SIGNIFICA SEGURANÇA PÚBLICA AMEAÇADA.

    Pelo serviço que presta, um Soldado da PMERJ deveria ter ensino superior (3º Grau) completo e receber um salário de R$ 7.514,33 (sete mil, quinhentos e quatorze reais e trinta e três centavos), para uma jornada de trabalho de até 144 horas mensais. Em contrapartida, a Polícia Militar deveria acabar definitivamente com a Promoção de Praças por Tempo de Serviço! As Promoções devem ser conquistadas mediante aprovação em concursos internos para o CFC, o CFS e o CAS.

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  6. Está cada dia mais evidenciado que a sociedade não merece que o policial perca sua família, seus amigos, e sua vida por ela, uma vez que somos um mal necessário que só somos bons quando precisam de nós, não enxergam quando um policial deixa todo mundo em casa preocupado porque ainda não voltou simplesmente porque um cidadão que ele nunca viu e que as vezes já até o tratou mal teve seu celular roubado. Mas você sabe como são as coisas e a polícia está no sangue, então mesmo sem que eles não mereçam protegemos sim, mesmo com o sacrifício da própria vida. Mas merecer eles não merecem não viu. RS

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  7. Bom dia, Barbosa

    Concordo plenamente que o risco de vida é inerente a profissão, mas percebo que este juramento incondicional tem sido relativizado em decorrência dos assassinatos brutais e covardes que tem vitimado policiais tão-somente por eles serem policiais.

    Uma coisa é o risco de vida em um confronto durante o atendimento de uma ocorrência em que há troca de tiros.

    Outra situação bem diferente é a execução de um policial que, em dia de folga e a paisana, estava visitando seus parentes e, por ter sido descoberta sua identidade, foi amarrado, ferido por disparos de arma de fogo e arrastado por um cavalo até a morte.

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