Que tipo de comandante você é para seus comandados?

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Comandar é muito mais que tomar decisões, dar ordens e punir quem não as cumpre! Este conceito pode ter sido válido antigamente. Hoje, não é qualquer sargento, capitão ou coronel que consegue ser o comandante que sua tropa deseja e merece. Você já pensou nisto?

Apesar de vivermos outros tempos, alguns comandantes ainda mantém a velha forma de comandar.

Infelizmente, eles são seguidos e copiados por seus comandantes subordinados.

E engana-se quem imagina que estou referindo somente a oficiais. Do mesmo jeito que tem dinossauros de estrelas nos ombros, tem muitos dinossauros de divisas nos braços.

Também não tem a ver, necessariamente, com tempo de serviço. Alguns militares entraram na corporação há poucos anos e fazem como ouviram dizer que os comandantes antigões faziam.

Este tipo de pensamento segue a contramão do que é pregado pela Policia Militar de Minas Gerais em seus cursos de formação.

Objetivando adaptar-se ao contexto  jurídico determinado pela Constituição Federal de 1988, a Constituição Cidadã, a corporação tem focado cada vez mais na capacitação intelectual, social e humana.

O resultado almejado é a formação de uma polícia cidadã, tanto para a sociedade, quanto para os próprios companheiros de serviço.

Restrinjo minha citação à PM mineira por desconhecer o processo de formação das polícias dos outros Estados, mas espero que, em todo o país, os policiais estejam sendo formados na nova concepção de policia.

Pensei na pergunta inicial – que tipo de comandante você é para seus comandados – pela primeira vez em meu curso de formação de sargento.

Um instrutor sugeriu como leitura obrigatória o livro “O monge e o executivo” de James C. Hunter.

A obra apresenta uma análise comparativa das formas de comandar uma equipe, um time de futebol, um grupo de funcionários, alunos, uma tropa, utilizando o poder, típico do chefe, ou a autoridade, própria do líder.

O autor utiliza uma abordagem genérica, direcionada a todos aqueles que tem uma equipe sob sua responsabilidade, mas podendo ser adaptada a cada caso específico.

Das diversas vezes que li o livro, internalizei  algumas lições que considero de suma importância a análise por todo comandante, seja ele o coronel comandante-geral ou o sargento comandante de uma guarnição policial que patrulha as ruas de nossas cidades:

  • O comandante deve tratar seus comandados exatamente como gostaria de ser tratado;
  • O comandante-chefe usa seu poder, proveniente de seu posto ou graduação, obrigando o cumprimento de suas ordens pelos comandados, mesmo que estes preferissem não realiza-las;
  • O comandante-líder, apesar de também ter poder, usa sua autoridade, com a qual consegue levar seus comandados a fazerem de boa-vontade o que o ele quer por causa de sua influencia pessoal sobre o grupo;
  • Ouvir é uma das habilidades mais importantes que um comandante pode escolher para desenvolver;
  • A maioria das pessoas quer saber como são avaliadas pelo líder. Receber elogios é uma legítima necessidade humana. O comandante deve, sempre que possível, elogiar seus comandados na frente da tropa e evitar puni-los na presença de outros;
  • O comandante deve ter interesse especial no sucesso de seus comandados. O líder comprometido dedica-se ao crescimento e aperfeiçoamento de seus liderados.

Estes conceitos são exatamente o contrario do que os dinossauros de nossa polícia fazem. E ainda tem muitos chefes por aí relutando em sair de cena.

Mas, gradativamente, nossos comandantes tem assumido posição de liderança, alguns antigões que entenderam ser necessária a mudança e outros mais novos, que já são formados com a nova mentalidade policial.

Além de necessária, a mudança comportamental dos comandantes é inevitável.

Já foi o tempo em que, para qualquer ordem dada, ouvia-se um “sim senhor” imediato.

Atualmente, os policiais recebem a ordem e querem saber o porquê, como, quando…

Na maioria das vezes, o chefe que estava acostumado com a obediência cega de seus comandados não aceita este tipo de atitude.

Fala que os policiais de hoje são questionadores e quer utilizar seu poder para ter suas ordens cumpridas. Esquece que tudo mudou.

Ou ele se adapta ou passa na Seção de Recursos Humanos e pede para fechar sua pasta funcional para ficar quietinho em casa.

Um exemplo explícito do mal uso do poder foi tratado no artigo “Acesso a educação: direito dos militares ou concessão dos comandantes?“. Mas estamos vencendo a batalha pelo estudo.

Enquanto os dinossauros estão de saída, os líderes tem ocupado lugar de destaque e conquistado cada vez mais a confiança e apoio de seus comandados.

A empatia é um sentimento que facilita muito qualquer relacionamento. Ela induz as pessoas a se colocarem no lugar das outras.

Sempre que sou comandado, observo as atitudes de meu comandante, principalmente na forma de tratar os policiais.

E quando estou no comando, tenho a preocupação de imaginar como meus comandados veem meus atos, buscando agir da forma mais correta possível.

Sou o tipo de comandante que procura suprir as necessidades da equipe, minimizar as dificuldades e incentivar o aprimoramento profissional e pessoal.

E você, que tipo de comandante é para seus comandados?

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