Sai da frente, motoqueiro fugindo da polícia

Tempo de leitura: 3 minutos

Mais um dia no plantão policial. Tentativa de homicídio, tiro no peito. Equipe tenta achar o autor do disparo. De repente, vira a esquina uma motocicleta preta, condutor de blusão de frio, bermuda Bob Marley e chinelo.

Assim que viu a viatura, freou, manobra de 180°, cantando pneu. Aquilo foi o estopim. Descarga de adrenalina, respiração acelerada, sangue no olho… Começa a perseguição.

O motorista dirige com o máximo de cuidado para evitar um acidente, afunda o acelerador até o talo e mantem o carro em marcha mais forte. Não é carro de corrida, mas o velocímetro ficou louco.

A cada curva, uma reduzida e o motor ronca mais alto. Sirene gritando alto e giroflex piscando é um aviso para a meninada que brinca de bola no meio da rua: sai da frente, que o bicho vai pegar.

O comandante da viatura anuncia a perseguição no rádio e solicita apoio de outras viaturas para fechar o cerco.

Ele tem total conhecimento da geografia urbana do seu setor de atuação, direciona o reforço para bloquear as principais rotas de fuga.

O bairro vira um labirinto e o motoqueiro vira um rato desesperado. Ele dá voltas, mas não consegue fugir. Não há saída. A interceptação é iminente.

O patrulheiro está no banco de trás, atento aos detalhes. Anota a placa e modelo da moto. Consulta no sistema para ver se é roubada. Não, não é!

O motivo da correria é outro. O motoqueiro pode estar armado. Ou então com um carregamento de drogas. Foragido da justiça. Quem sabe.

Ele não tem receio de acidente, o que importa é fugir. Faz zigue-zague entre os outros veículos, sobe com a moto na calçada, desobedece a placa de parada obrigatória de vários cruzamentos perigosos, anda na contramão, passa em alta velocidade na porta de uma escola.

Vários pedestres pulam para não serem atropelados. Continuamos na cola. O para-choque da viatura quase encostando na roda traseira da moto. Ele olha para trás a todo momento e segura um volume em sua cintura. Será uma arma?

Aquilo já estava passando dos limites. Quanto risco já causou à sociedade em apenas um ou dois minutos, no máximo. Naquela perseguição pelas ruas do bairro, quantas pessoas poderiam ter sido atropeladas.

Finalzinho de tarde, crianças brincando na rua, idosos sentados na calçada, papeando. Fora a quantidade de carros com pessoas voltando do serviço.

Em uma fração de segundos, acabou a perseguição. O motoqueiro perdeu o controle da moto e rachou a cara no chão. A ordem para deitar e colocar as mãos na cabeça foi desobedecida.

Tentou levantar, mas foi em vão. Antes de saber o que estava pegando, já tinha tomado uma rasteira. Levantou de novo. Mais um ou dois golpes e pronto. Ta no grampo.

Agora é a hora de entender o porquê da corrida maluca. Busca pessoal e nada, aliás, só um boné dentro da bermuda. Era o que ele segurava na cintura. Nada mais que isto.

A moto também sem problemas, a não ser um quebradinho aqui, outro ali, em razão do tombo. Não tinha arma, não tinha droga. Ele também não era foragido, apesar de ser traficante conhecido na região.

Então não tem motivo? Na verdade, tem sim. O irresponsável é inabilitado. E repetiu o mesmo comportamento que diversos condutores tem todos os dias.

Não se preocupam em tirar a CNH, acham que sabem andar de moto e, quando vêem uma blitz, tentam fugir da polícia. Não medem as consequência de seus atos e colocam em risco, inclusive de vida, toda a comunidade de uma região.

Desta vez, a casa caiu para o vacilão. Sua moto foi rebocada para o pátio, tem um talão de multas para pagar e ainda vai responder pelo crime de direção perigosa. Pensou que ia chegar na delegacia e sair antes da polícia, mas ficou agarrado por lá.

Graças a Deus, mais um turno de serviço abençoado!

2 Comentários


  1. Bom dia, meu amigo

    Desculpe a demora em responder, mas seu comentário foi para a pasta SPAM e só hoje fui avisado pelo sistema.
    Obrigado pelo apoio ao nosso serviço e por sua participação.

    Sgt Silvino
    @blogdograduado

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  2. Bem feito pra este otario. Teve o que mereceu e foi pouco ainda. Parabéns polícia.

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