Policial também não merece morrer

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A morte de Douglas Rafael no último dia 22 de abril provocou manifestações populares, discussões em TV, rádio e internet, sobre a insegurança pública vivida pela população brasileira.

O caso ganhou maior repercussão devido a vítima ser dançarino do programa Esquenta da Rede Globo. As informações preliminares dão conta que DG, apelido de Douglas, estava na favela Pavão-Pavãozinho, onde mora sua família.

Segundo o Jornal do Brasil, amigos e familiares acusam a polícia de ter torturado DG até a morte e tentado encobrir o crime dizendo que ele teria falecido em decorrência da queda de um muro quando tentava fugir do tiroteio.

No programa Esquenta do dia 27, cinco dias após a morte, foram realizadas críticas a polícia e artistas apresentaram cartazes com a inscrição – eu não mereço ser assassinado.
 
 

O programa foi bastante contestado principalmente através da internet, por internautas anônimos e também por colunistas e blogueiros formadores de opinião, como foi o caso de Felipe Moura do site da Veja, com seu artigo Traficantes assistiram ao “Esquenta” comendo pipoca?

Na mesma linha de apresentação de cartazes, um policial também manifestou sua opinião e mostrou à sociedade a realidade deste profissional da área de segurança pública.
 
 

Policial: indivíduo que estuda, trabalha, joga bola, tem família e amigos. Como todo ser humano, ele não merece ser assassinado!

Concordo que civis não devem morrer, assim como os policiais também não, pois estaríamos declarando uma guerra civil em nosso país.

Vivemos em um Estado Democrático de Direito que garante os direitos humanos a todos seus cidadãos. Mas, infelizmente, nem todos gozam destes direitos.

Policiais matam civis!  Civis matam policiais! Isto é fato.

Quando policiais matam civis, a imprensa explora ao máximo a situação, criticando os atos, analisando friamente com especialistas de segurança pública.

As imagens e vídeos são passados em todos os canais e todos os horários, exaustivamente, deformando a opinião dos telespectadores que recebem somente o que é de interesse da imprensa.

Os defensores dos Direitos Humanos exigem a punição mais severa, inclusive com exclusão da corporação e prisão do policial.

Quando civis matam policiais, o fato é noticiado como mais uma notícia do dia-a-dia. Dizem que o risco de morte faz parte do serviço policial.

A família não é ouvida e os defensores dos Direitos Humanos se omitem. A corporação escala outro policial no lugar daquele que foi vitimado e vida que se segue.

Li no site da Folha de São Paulo o artigo Pessoas dentro da farda do colunista Ruy Castro, no qual ele ressaltou a pessoalidade do policial. Como temos muitas bocas a se abrirem para falar mal, faço questão de frisar as palavras deste jornalista:

…não sei a quantas anda a estatística de PM’s cariocas mortos ou feridos – não em combate, como de praxe no ofício, mas pelas costas, à traição.

Nem sempre os jornais registram que o policial assassinado era jovem, recém-casado, filho exemplar ou pai de filhos.

Artistas da Globo não vão a seus enterros. Não se sabe de missas por suas almas e, na verdade, ninguém está interessado. É como se não houvesse alguém dentro da farda.

1 comentário


  1. Os pais são responsáveis por futuros autores de crime, pois não deveriam gerar filhos quem não queria dar-se ao trabalho de criá-los e educá-los. Me impressiona a hipocrisia da Rede Globo, pois a inversão de valores é a maior produção de todos os tempos da televisão brasileira. O Policial Militar precisa ser valorizado como herói e a Polícia Militar precisa ser fortalecida, não pode ser enaltecida apenas nas vitórias, mas respeitada principalmente nas derrotas.

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