Meu filho usuário de drogas

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O uso de drogas aumenta em nossa sociedade, principalmente pelos jovens, que se enveredam por este mundo cada vez mais cedo. E nossos filhos não estão livres de fazerem parte desta triste estatística. Você, pai, mãe ou responsável já pensou nisto?

Influenciado pela família de dois usuários de drogas que tive a infelicidade de prender, fiz uma pesquisa com pais, irmãos mais velhos, educadores, profissionais de segurança pública, sobre este tema tão atual e, na mesma proporção, evitado por aqueles que mais deveriam ter conhecimento, os pais.

Apresentei quatro fotos aos entrevistados, questionando se representavam alguma coisa para eles. Primeiramente, mostrava estas duas:

 

 

 

 

Estas figuras representam alguma coisa específica para você? Já viu estes símbolos em alguma vestimenta, motocicleta, muro ou outro lugar qualquer?

Olhe novamente! Pare! Pense alguns segundos! Se sua resposta for parecida com alguma das abaixo, tudo bem. Estas foram as mais comuns:

  • São uma camisa e boné comuns, até bonitos
  • 4:20 deve ser o nome de banda de rock
  • Deve ser o nome de uma marca de roupas nova

Para aqueles que não souberam o real significado ou tiveram vergonha de falar que sabiam, apresentei estas outras duas fotos:

 

 

 

 

Agora tem ideia do que se trata? Aquele desenho ao lado dos números te leva a pensar? Se ainda não “matou a charada”, não fique chateado, pois você não foi o único. Porém preste mais atenção ao vestuário de seu filho e dos amigos com os quais ele anda.

420, 4:20 ou 4/20 refere-se ao uso da maconha e ganhou destaque na década de 70. Jovens estudantes dos EUA se encontravam as 4 horas e 20 minutos para fumarem maconha fora da escola.

Outra explicação refere-se ao dia 20 de abril, que ficou conhecido como Weed Day ou Pot Day (Dia da Erva, Dia da Maconha), dia que os usuários se reúnem para celebrar e consumir maconha.

Há algum tempo, acreditava-se que quem usava drogas eram aqueles roqueiros malucões, os motoqueiros e todo tipo de indivíduo que rodava o mundo com uma mochila nas costas, sem destino fixo.

Tinha-se a impressão também que usuário de drogas seria um cara doidão, com o corpo tatuado.

Mas nunca se desconfiava das pessoas que frequentavam os mesmos locais que nós, que vestiam roupas mais discretas, que trabalhavam ou estudavam e, principalmente, dos próprios filhos…

Até que a polícia batia a porta da sua casa e comunicava que seu filho querido foi preso.

Atualmente, a visão da sociedade mudou, aceitando que qualquer um pode entrar no mundo das drogas.

E não há limites, atingindo pessoas de todas idades e classes sociais, estudantes, trabalhadores, membros assíduos de religiões diversas, artistas famosos, aquele vizinho todo certinho, até mesmo um amigo do seu filho.

Em uma concepção mais restrita, quando olhamos nossa própria família, ainda existe um bloqueio emocional que determina a proteção paternal extrema, apesar dos indícios claros de algo errado.

Talvez pelos pais nunca terem usado droga, não perceberiam estes indícios. Veja a tabelinha abaixo e reflita se já observou algum deles.

Alguns destes itens são típicos da adolescência. Se seu filho apresentar um ou mais, você não terá, necessariamente, identificado um usuário, mas que o comportamento de seu filho é parecido.

Outro problema da maioria dos pais é o desconhecimento. Nunca usaram, viram ou tiveram qualquer tipo de contato. Para auxiliar, apresento imagem das principais, que são a maconha, cocaína e o crack.

A maconha é a porta de entrada para o mundo das drogas. Várias são as formas de consumo: comer, mascar, fumar ou aspirar em forma de rapé.

No Brasil, o mais comum é em forma de cigarro. Tem odor muito forte e aparência esverdeada, tom escuro, parecido com bosta de boi seca.

É vendida em pequenas porções ou buchinhas por 10 a 20 reais e pode ser usada por mais de uma pessoa. Normalmente, o usuário compra também em forma de pequeno tablete para guardar em casa.

A maconha é conhecida no meio dos usuários por bagulho, back, cigarrinho do capeta, fininho, preto, entre outros codinomes.

Dizem que seu consumo não causa mal, pois é uma erva medicinal. No entanto, seus efeitos podem ser danosos, como pode ser visto no site A saúde em pauta.

O seguinte quadro, apesar de engraçado, apresenta uma linha do tempo do usuário de maconha após o consumo. Com certeza, você irá dar umas risadas, mas se vir seu filho com algum destes sintomas, ficará com uma pulguinha atrás da orelha.

Após o contato com a maconha, o viciado aumenta as relações de amizade em grupos de usuários e, em pouco tempo, conhece a cocaína. Ela é vendida em pequena quantidade, em papelotes (saquinhos plásticos) ou pinos.

O custo é de 50 reais por porção, ou mais, dependendo de seu grau de pureza. Apesar de ser encontrada principalmente na forma de pó esbranquiçado, também tem na cor amarelada. É conhecida por coca, pó, farinha, entre outros codinomes.

Esta droga é bem mais forte e viciante, pois atua diretamente sobre o sistema nervoso central do indivíduo. Pode ser consumida por via oral, inalada (cheirada) ou injetada direto na veia.

Os principais sintomas são euforia, bem-estar, sociabilidade, desinibição. Normalmente, o usuário não sente tais emoções naturalmente. Então, após a dose perder seus efeitos, o usuário sente falta deles e tende a se drogar com maior frequência.

E com o tempo, o organismo torna-se mais resistente aos efeitos, ficando mais tolerante e exigindo absorção de uma dosagem maior para provocar os mesmos efeitos. Este é um sério problema, pois a escalada do consumo acaba acarretando em uma overdose e, consequente, morte.

Se o usuário der mais um passo no mundo da droga, ele encontra o crack. Derivado da cocaína, porém mais viciante, chegando a viciar a partir do primeiro contato. Tem aparência de uma pequena pedra, com forte odor. É vendida por um preço acessível, 10 reais a pedra.

Ao fumar o crack, a fumaça chega aos pulmões, passa para o sangue e vai direto ao cérebro, ativando o sistema nervoso central do corpo, que passa a produzir um neuro-transmissor que aumenta a sensação de intenso prazer.

Porém, os efeitos tem curta duração, menos de cinco minutos. Isso faz com que o indivíduo queira uma nova dose e tente de tudo para conseguir, mesmo que tenha que vender seus pertences, os de sua casa ou até mesmo praticar pequenos delitos para conseguir dinheiro.

O usuário carrega sempre um cachimbo para fumar a droga. Ele é feito de diversos materiais, sendo o mais comum um cano de PVC com papel alumínio na ponta.

Em sua falta, também utiliza uma latinha de alumínio. Os dedos do usuário são queimados no momento do uso, característica marcante do “craqueiro”.

Os efeitos do crack são percebidos tanto no organismo do indivíduo, quanto em sua vida social, pois, por vezes, o viciado abandona a família e vai para a rua.

E como o vício é mais forte que a vontade da pessoa, ela passa a viver com outros viciados nas proximidades de bocas de fumo ou nas conhecidas cracolândias.

Os efeitos da droga são devastadores e se apresentam em curtíssimo prazo. Os principais deles são:

  • Diminuição extrema de sono e fome, ocorrendo um processo rápido de emagrecimento. Há um descuido também com a aparência e hábitos básicos de higiene pessoal;
  • Aumento da frequência cardíaca e pressão arterial, o que pode causar problemas cardiovasculares;
  • Intoxicação pelo alumínio da lata de refrigerante que se desprende e é inalado juntamente com o vapor da droga;
  • Deficiências de memória e concentração, oscilações de humor, baixo limite para aceitar frustração e dificuldades de ter relacionamento afetivos;
  • Psicose, paranoia, alucinações e delírios;
  • Morte.

Além do risco de morte pelos efeitos da droga no organismo, há a questão da dívida com os traficantes, que normalmente cobram o prejuízo dos familiares. Em muitos casos os parentes tem que vender seus bens para saldar dívidas do tráfico.

Visando esclarecer um conceito incorreto, cito um trecho da Lei de Entorpecentes que prevê os crimes relacionados a substâncias entorpecentes.

Lei 11343 de 23 de agosto de 2006
Capítulo III – DOS CRIMES E DAS PENAS
Art. 28 – quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetidos as seguintes penas:
I – advertência sobre os efeitos da droga;
II – prestação de serviços a comunidade;
III – medida educativa de comparecimento a programas ou curso educativo.

Quando essa Lei foi publicada, muitos entenderam que o consumo de drogas deixou de ser crime por não haver previsão de pena restritiva de liberdade.

No entanto, a polícia continua coibindo o uso de substâncias entorpecentes, conduzindo o indivíduo até a delegacia, onde é instaurado um Termo Circunstanciado de Ocorrência,  pelo qual o delegado faz o indiciamento e tipificação do infrator, que assina um Termo de Compromisso e Comparecimento para acompanhar o inquérito que servirá de peça informativa para o Juizado Especial Criminal.

Caro pai ou responsável, se seu filho ou algum entendido tentar te convencer que droga não faz mal e que o uso está liberado, não se deixe enganar.

Além dos inúmeros argumentos apresentados anteriormente, demonstrando os malefícios ao organismo do indivíduo, tanto físico, quanto psicologicamente, até mesmo ao convívio social, tem ainda a questão criminal.

Se passar a mão na cabeça de seu filho, ele seguirá dois caminhos: morrerá ou será preso, responderá um processo judicial e será incluído no sistema.

Na hora de procurar um emprego, um dos requisitos das empresas é uma certidão da Justiça Criminal declarando que NADA CONSTA contra o indivíduo. E seu filho terá uma certidão declarando justamente o contrário, que seu filho responde ou respondeu a um processo.

Referente a um daqueles usuários inspiradores desta matéria, com o qual apreendi um pequeno tablete de maconha, avistei uma camisa com o logotipo 4:20 em sua cama. Questionei o pai se sabia o significado, obtendo resposta negativa.

O adolescente explicou para seu pai o real significado e complementou que não tinha nada demais usar camisa com aquela simbologia. Ainda bem que o pai concordou comigo e mandou o filho colocar fogo naquela camisa.

O uso de drogas é um crime de menor potencial ofensivo, mas não deixa de ser. E um pequeno crime costuma estar vinculado a outros maiores.

O usuário vira avião, fazendo entregas de droga em troca de uma pequena porção para sustentar seu vício; começa a roubar para adquirir dinheiro para pagar suas dívidas; muitas vezes, guarda grande quantidade de drogas em casa para que o verdadeiro traficante não seja preso com o flagrante.

Se o senhor pai ou responsável ainda achar que, se seu filho somente fumar um cigarrinho de maconha ou usar uma camisa com 4:20, não tem nada demais, observe esta foto:

Vocês continuariam com o mesmo pensamente paternalista? Isso é o muro de uma escola. Muito mais que uma ameaça a uma corporação, é uma afronta ao poder estatal.

Qual pai gostaria de acompanhar seu filho até a delegacia de polícia assim que ele fosse identificado como o autor desta pichação?

Registro aqui o pensamento de um amigo, um SubTen com muita experiência profissional, mas que apenas me repassou o ensinamento que recebeu de sua mãe, uma senhora com pouca instrução escolar, mas muita sabedoria de vida:

O MAL DO PROTEGIDO É O PROTETOR

No caso dos jovens que me influenciaram a tecer estes comentários, um dos pais disse que estava pensando em mandar seu filho sair de casa. Sugeri que abraçasse seu filho e nunca o abandonasse.

Que fosse firme, conversasse, mostrando que estaria sempre ao seu lado, mas que não concordava, nem aceitava aquele comportamento. Que não tivesse atitudes radicais, mas também não procurasse ser bonzinho, que fosse amoroso e, ao mesmo tempo, justo.

4 Comentários


  1. Tenho um irmao preso pq começou a rouba pra comprar droga. bem q vcs podia dar uma geral aki na pracinha do amaro lanari. os caras ficam vendendo a noite toda.

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